“Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho” Lc 10, 4
Quando nada mais parece que acontece e já modo de descanso e arrumação do grande ano Pastoral que passou e terminou com as megas festas das Padroeiras da Paróquia, é que já ao terminar da quinta-feira (dia 20) liga-me um seminarista dos Olivais a dizer que estavam dois missionários que vieram de um encontro de Vila Nova de Milfontes do Movimento do Caminho Neocatecumenal para as terras da Vigararia de Sacavém. Já eram 19h e eles ainda não tinham comido desde o inicio do dia. Porque eles realmente nem tinham comida, nem dinheiro, nem telemóveis, nem nada na mochila… senão a liturgia diária. Apenas tinham a missão de estar como enviados por Deus esta semana na Vigararia de Sacavém.
É aí que nos lembramos da Fé de Abraão “Deus Providenciará!”. Começámos a sintonizar as antenas para a vontade de Deus dispondo-nos e envolvendo a Igreja para este acolhimento.
Liguei à Emilia, porque pertence ao Caminho Neocatecumenal, e chamou mais dois membros do movimento dos Olivais e fomos todos jantar. Foi um tempo muito belo de partilha de todos para com a Misericórdia de Deus para com cada um de nós e terminou com esta foto de notícia.
Sem desejar sobrepôr à providência de Deus e tentando decifrar o que era a minha vontade, fomos depois descansar à Paróquia da Ramada. Visitámos a Igreja e apresentei aos missionários o Retablo do D. João Marcos (um dos responsáveis por o Movimento estar em Portugal juntamente com o Padre João de Brito Atanásio) que lá se encontra no Altar Mor.
Logo cedo tomámos o pequeno almoço e rezámos laudes na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e despedimo-nos na Paz do Senhor com uma pequena almofada… “Caso seja necessário alguma coisa venham cá ter ao Centro Social que depois ligam para mim”. Penso que de certa forma não nos podemos colocar acima da providencia de Deus em querer prender os missionários nas “nossas saias” mas também não podemos nos colocar do lado de fora. Dei assim a liberdade para puderem voltar mas que isso não fosse obstáculo de verem as “coisas de Deus” noutros lugares. Nesta mesma noite de Sexta não tinha nada para fazer senão estar à espera que eles pudessem porventura regressar. Já me estavam a chatear as borboletas na barriga que diziam “se calhar não conseguiram arranjar nada para comer nem local para dormir!”. Fui ocupando o tempo fazendo alguns telefonemas, inventei outros trabalhos, visitei paroquianos a casa e até fui visitar uma reunião de preparação de Baptismo… e eles não apareceram.
Passou uma semana e eles ficaram no coração e na oração mas longe da vista. Só me lembrava das preocupações das mães quando não sabem onde estão os filhos.
Chegou a quarta-feira (dia 26) e aqui tinha mesmo tudo organizado para puder preparar uns amigos para o casamento no próximo mês de Setembro quando, já a terminar o dia aparecem novamente os missionários a contar as maravilhas de Deus. Sem saber como é que iria gerir os tempos com este “contratempo” de desejar estar com eles… encaminhei-os para a casa de um casal de paroquianos. Se eu fisicamente não podia estar com os paroquianos, a missão era a mesma (como se fosse eu mesmo). Estes nossos irmãos fizeram de uma forma tão exemplar e tanto ou melhor do que eu que quando consegui regressar, depois da reunião pelas 00:20, estavam ainda frescos e animados.
Aí senti mais uma vez que os paroquianos estão também a viver a missão do Pastor que é passada para o pastor e é partilhado com as ovelhas.
Foi mesmo muito bom e só tenho que agradecer a Deus.
No dia a seguir de manhã combinámos que iriam fazer missão aqui pelo Bairro da Petrogal. Juntou-se mais uma paroquiana e éramos 6 a celebrar de manhã na Igreja Paroquial a Eucaristia e Laudes num ambiente assim tão belo com o nosso Pastor.
Na hora de almoço já vinham cansados mas cheios de alegria no Senhor e com três lindos poemas, que o poeta do Bairro da Petrogal os presenteou quando estes o foram visitar a casa.
Depois de almoço levei-os para o Campo Grande onde iam para caminho de Vila Nova de Milfontes onde iam ter com os outros mais de 100 missionários que passaram esta semana por todo o Portugal continental e ilhas apenas a estar e a evangelizar dizendo que o “Senhor nos Ama Muito”.
E numa semana que já os animos da vida paroquial já estavam mais calmos fomos visitados pelo Senhor que nos enviou estes jovens Missionários.
É caso para dizer, Para Deus não existem férias!
Bendito seja Deus
Pe Marcos

