Durante quarenta anos, o povo caminhou pelo deserto ao encontro de um objetivo: chegar à “Terra Prometida”, um lugar aonde encontraria fartura e paz. Isto nos remete à resposta àquela pergunta inicial: a que somos chamados como cristãos? Nós, também, temos um objetivo, que já não é mais encontrar um local geográfico: nossa meta é a vida eterna, a comunhão plena com Deus. No entanto, encontramos muitos obstáculos pelo caminho. Também nossa vida quotidiana, muitas vezes se assemelha a um deserto, no qual sofremos fome, sede, cansaço e muitas tentações. Surge então outra pergunta decisiva: vale a pena ser cristão no mundo, já que continuamos a encontrar obstáculos, tentações, dores e angústias?
Na “Quaresma”, a Igreja dedica, ano após ano, como a preparação para as celebrações da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, é um tempo especial para se aprofundar, com a força do Espírito, na nossa conversão pessoal e meditar no sentido dos obstáculos e das tentações, dos sofrimentos, e das dificuldades da vida. Que sentido tem, portanto a fome e a sede, o cansaço e as provas no peregrinar? Somente a cruz do Senhor nos pode dar uma resposta definitiva. As práticas do jejum, da abstinência e até mesmo os problemas da vida, são oportunidades propícias para nos exercitarmos na mortificação, para nos unirmos à cruz de Cristo e para encontrar Nele o sentido do sofrimento.

