Este ano a catequese do 1.º ao 3.º ano está a preparar com pais, crianças e catequistas o reviver da tradição do Pão por Deus no dia de Todos os Santos, 1 de novembro. O início será pelas 9h30 na Igreja Paroquial percorrendo algumas ruas da Paróquia e terminando após a Eucaristia das 11h30.

Vamos ajudar a fazer acontecer esta tradição do “Pão por Deus” – numa das ruas da Bobadela ou antes de entrar na celebração das 11h30 deixe algo no saquinho das crianças – pão, broas, doces, romã, frutos secos, etc. 

Sobre a tradição do Pão por Deus:

Em Portugal, no dia de Todos os Santos, as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos grupos para pedir o “Pão por Deus”, de porta em porta. As crianças, quando pedem o “Pão por Deus” recitam versos e recebem como oferenda pão, broas, romã, frutos secos, etc que colocam dentro do seu saco de pano. É também costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro.

Esta tradição teve origem em Lisboa, em 1756 (um ano depois do terramoto que destruiu Lisboa). No dia 1 de Novembro de 1755 em que ocorreu o terramoto morreram milhares de pessoas e a população da cidade que era pobre, ainda mais pobre ficou. Como esse dia trágico coincidiu com o dia de Todos os Santos, de grande significado religioso, a população aproveitou de forma espontânea, a solenidade do dia para desencadear, por toda a cidade, um peditório com intenção de minorar a situação difícil em que parte da população vivia. As pessoas percorriam a cidade, batiam às portas e pediam que lhes fosse dada qualquer esmola, mesmo que fosse pão. E as pessoas pediam “Pão por Deus”. Esta tradição perpetuou-se no tempo, sendo sempre comemorada neste dia e tendo-se propagado gradualmente por todo o país.

Até meados do século XX, o “Pão por Deus” era uma comemoração que minorava a necessidade básica das pessoas mais pobres. Noutras zonas do país foram surgindo variações na forma e no nome da comemoração.

Nas décadas de 60 e 70 do século XX, a data começou a ser comemorada mais de forma lúdica do que pelas razões que criaram a tradição e havia regras básicas que eram escrupulosamente cumpridas. Só podiam pedir “Pão por Deus” crianças até aos 10 anos de idade. As crianças só podiam andar na rua a pedir o “Pão por Deus” até ao meio dia (depois do meio dia, se alguma criança batesse a uma porta levava um “raspanete” do adulto que a atendesse).

A partir dos anos 80, a tradição foi gradualmente desaparecendo e, atualmente apenas alguns grupos e algumas zonas de Portugal fazem permanecer viva esta tradição.