Na sua intenção para este mês de Outubro, o Papa Francisco faz este apelo a que os consagrados e consagradas não deixem cair esta herança e este tesouro. Junto dos pobres, marginalizados e dos que não têm voz, é através deles que a preferência da Igreja pelos pequenos tem um maior destaque. Teresa de Calcutá, a comunidade dos monges trapistas, mártires de Tibhirine, na Argélia, os religiosos presentes em campos de refugiados, e tantos outros exemplos devem motivar a nossa oração de gratidão por estas vidas entregues e pedir para que Deus continue a conceder à Igreja vocações de consagrados e consagradas ao serviço dos mais pobres.

Reflexão

Há alguns anos, um jornalista que se confessava não crente declarou, numa entrevista, que, apesar da sua distância em relação à Igreja, reconhecia que, em cenários de tragédia, seja por catástrofes naturais ou por motivos de guerra, os religiosos eram os primeiros a chegar a estes lugares e os que permaneciam até ao fim. Esta afirmação aponta para duas coisas que chamam a atenção: por um lado, a presença da Igreja, e em especial dos consagrados, junto de realidades difíceis, em tantos lugares esquecidos e ignorados pelos governos e pelos meios de comunicação social. Lugares de que ninguém fala. Aí, são as pessoas que consagram a sua vida a Deus e aos outros que estão próximas das populações que servem, estando dispostas a permanecer junto dos mais afectados com uma grande fidelidade, por vezes até ao sacrifício da própria vida. Por outro lado, esta situação mostra como, na génese da Igreja, os pobres são, desde sempre, alvo de atenção e cuidado por parte dos cristãos. Na verdade, basta cair na conta que junto às igrejas e paróquias, mosteiros, missões, ao longo da história, sempre se desenvolveram e continuam a desenvolver iniciativas de promoção e apoio às populações mais desfavorecidas