Organismo católico fala em falhanço da Justiça e das instituições
Lisboa, 13 de Fevereiro de 2019 (Ecclesia) – A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica em Portugal, alertou hoje para a persistência do “flagelo” da violência doméstica, apelando a uma acção “consistente, articulada e perseverante” para a sua erradicação.
“Face à persistente tragédia e imenso sofrimento expresso nos números dos crimes de violência doméstica que continuamos a registar e das mortes conhecidas que daí resultam, é evidente que o quadro legal não foi suficiente”, assinala a nota do organismo católico, enviada à Agência ECCLESIA.
A tomada de posição sustenta que “as instituições não funcionaram”, pelo menos de forma articulada, e que os conhecimentos e a informação “não produziram a indispensável alteração de comportamentos nas relações interpessoais”.
A CNJP começa por alertar para as violações ao “princípio estruturante” da igualdade, de forma particular numa sociedade “desigual no reconhecimento das mulheres”.
“A desigualdade é em si mesma violenta e geradora de violência, sendo a violência uma forma das formas mais gravosas de discriminação que as mulheres sofrem pelo simples facto de serem mulheres”, adverte a nota.
A Igreja Católica é chamada a assumir um papel de destaque na prevenção da violência e na proteção das vítimas.
“Educar, formar, olhar e atender, prevenir e agir. Sempre. De forma convicta, concertada, persistente”, conclui a CNJP.